sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Cartas de Lisboa | Beshalach





Beshalach


A história da existência do povo judeu no deserto começa na parsha desta semana.


O que alimentou a sua sobrevivência no dia-a-dia e os sustentou durante este tempo foi o milagroso maná. O maná é-nos apresentado com estas palavras de D-us para Moisés; 

"Vou chover para vocês, - lechem min hashamaim - pão vindo do céu." (Shemot 16: 4)



Dom Abarbanel, no seu comentário a esta parsha, centra-se nesta descrição. Chuva e neve também caiem e têm a sua origem no céu, mas nós não descreve-mos a chuva, como “chuva do céu”, porque a chuva, é apenas chuva.

A explicação para esta situação, segundo Dom Abarbanel, encontra-se no objetivo do maná. Por que é que D-us considerou necessário ter esta ocorrência de forma milagrosa?
Não teria sido possível D-us ter orquestrado um método mais convencional de alimentar uma nação com fome?




A descrição do céu que se junta ao maná, não é apenas uma indicação da sua fonte nos céus; o título de "pão do céu" é também uma referência ao seu impacto e efeito sobre as pessoas nesta terra, os beneficiários do maná.



Grãos e cereais comuns podem ser vendidos, acumulados, ou armazenados. Podem gerar riqueza para aqueles que planeiam com sabedoria, mesmo garantindo benefícios para as gerações futuras.

Esta possibilidade leva as pessoas a trabalharem duro e a desenhar estratégias, cuja ausência pode causar a pobreza ou angústia.


Na altura em que o povo judeu se tornava uma nação, e se preparava para receber a Torá, D-us queria as suas mentes e energias focadas noutro lugar que não o mundano.



O maná não poderia ser armazenado, vendido ou trocado por outros bens e assim não criava desejos. Era simples e eficiente, sustentava as pessoas, mantendo-as vivas. Vivas e livres, para dedicar as suas mentes, espírito e energia, à Torá e aos seus ensinamentos.

É por isso, diz Dom Abarbanel, que o maná era verdadeiramente "pão do céu", permitindo que o povo fosse liberto de distrações, e concentrasse os seus corações e mentes para o céu.


Ainda hoje, quando temos de trabalhar no duro, para a produção de "pão", pão que vem da terra, com todas as suas implicações, é preciso lembrar que tudo o que temos vem, em última análise, do "céu".


Shabat Shalom!

*Today is the 10th day of the Jewish month of Shevat "Yud Shevat" is the anniversary of passing (yahrtzeit) of the sixth Lubavitcher Rebbe, Rabbi Yosef Yitzchak Schneersohn (1880–1950), of righteous memory.

*It is also the day when, in 1951, the seventh Rebbe, Rabbi Menachem Mendel Schneerson(1902–1994), of righteous memory, formally accepted the leadership of Chabad.


Cortesia do Rabino
Eli Rosenfeld

chabadportugal.com



Fontes das imagens:


Synagogue Ari | Safed



Shabat Shalom!

Pintura de David Gilboa

Lei de retorno dos judeus sefarditas!



"Eu não diria que é uma reparação histórica, porque eu acho que, neste sentido, não há possibilidade de reparar o que foi feito, é sim a concessão de um direito", disse o ministro Português Justiça, Paula Teixeira da Cruz a RPT.




O Governo Português aprovou ontem (29-01-2015), uma alteração da lei que regula os direitos de cidadania aos descendentes de judeus sefarditas que foram expulsos da nação ibérica cinco séculos.

"Esperamos que a lei entre em vigor em meados de fevereiro ou início de março de 2015," disse o presidente da comunidade judaica de Lisboa, Oulman Carp.


Fonte:

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O dia de hoje na história judaica | 9 Shevat 5775




É concluído o "Rolo de Torá de Mashiach" 
(1970)



A escrita do Sefer Torá para a Saudação a Mashiach", iniciada a pedido do sexto Rebe, Rabi Yossef Yitschac Schneersohn em 1942, foi concluída 28 anos depois numa reunião especial organizada pelo Rebe na tarde da sexta-feira 9 de Shevat, na véspera do 20º aniversário de falecimento de Rabi Yossef Yitschac.




Fontes:

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Group of Jews | The Minyan




Shabat Shalom!


Pintura de Dora Holzhandler



Fonte:


Cartas de Lisboa | Bo




BO




Em preparação para o Êxodo, D-us instrui Moisés nos procedimentos para o Korban Pesach, o Sacrifício do Cordeiro Pascal. "Eles pegarão [em algum do] sangue e pô-lo-ão nas duas ombreiras das portas bem como na verga superior das portas.” (Shemot 12:7)




O colocar do sangue do Korban Pesach na parte de fora de todas as casas Judaicas, era para ser uma marca de identificação, para D-us “passar por cima” dessas casas durante a praga do primogénito, de modo a permitir que o Povo Judaico saísse ileso.


Uns quantos versos depois, pode perceber-se o modo como Moisés cumpriu estas instruções quando ele transmite estas palavras ao Povo Judaico. ”Deverão colocar [o sangue] na verga superior e nas duas ombreiras …”


Enquanto Moisés parece meramente repetir as palavras de D-us, ele de facto muda a ordem das instruções apresentadas. Em vez de primeiro mencionar as ombreiras, os lados da porta ele menciona primeiro a verga, a parte superior da estrutura que enquadra a porta.



Porque é que Moisés se permitiria um desvio, mesmo mínimo, em relação 
às palavras de D-us?


O Rabino Avraham Sabba, no Tzror Hamor, refere uma explicação que ilustra a profundidade e a precisão associadas com o que parece ser uma tarefa tao simples.


As ombreiras e a verga, escreve, são muito mais que pontos de referência físicos. Eles simbolizam um tema bem central e explicam porque é que o Povo Judaico teve o merecimento de ser tirado do Egipto.



O Êxodo, diz-nos ele, tem duas componentes principais, a bondade de D-us e o mérito de Moisés e Aarão. As ombreiras e a verga são alusões a estes dois ingredientes. As ombreiras referem-se a Moisés e Aarão, enquanto a verga, a parte superior tudo o demais se refere a D-us.





E é por isto que quando D-us fala a Moisés, ele menciona primeiro as ombreiras, colocando assim o enfase no papel a ser cumprido por Moisés e Aarão na redenção do Povo Judaico.

Moisés por sua vez, faz o oposto. Primeiramente e principalmente, menciona a verga superior, a parte da porta acima de tudo o resto, o símbolo da bondade e do amor de D-us para com o Povo Judaico. (Escrito Shabbat Bo 2013)


Shabat Shalom!
Cortesia do Rabino


Eli Rosenfeld
chabadportugal.com


Fontes das imagens:


domingo, 18 de janeiro de 2015

Rabbi Samson Raphael Hirsch




Torah im Derech Eretz”


Samson Raphael Hirsch 
(20 de junho de 1808 - 31 de dezembro de 1888)


Samson Raphael Hirsch foi um rabino alemão mais conhecido como o fundador intelectual da Torah “im Derech Eretz” escola de judaismo contemporâneo ortodoxo. Ocasionalmente denominado neo-ortodoxia, a sua filosofia, juntamente com a de Azriel Hildesheimer, teve uma influência considerável sobre o desenvolvimento do judaísmo ortodoxo.

Hirsch foi rabino em Oldenburg, Emden, e posteriormente foi nomeado rabino-chefe de Moravia. A partir de 1851 até sua morte levou a comunidade ortodoxa secessionista em Frankfurt am Main. Ele escreveu uma série de livros influentes, e por um número de anos publicou no jornal mensal Jeschurun, no qual apresenta a sua filosofia do judaísmo. Ele era um oponente vocal do judaísmo reformista na medida em que se opõem ao judaísmo conservador.

Hirsch nasceu em Hamburgo, Alemanha. O seu pai, apesar de comerciante, dedicou grande parte de seu tempo aos estudos da Torá; assim como o seu avô, Mendel Frankfurter, que foi o fundador do Talmud Torah em Hamburgo e assistente voluntário do rabino da congregação vizinha de Altona ; e por fim, o seu tio-avô, Löb Frankfurter, foi o autor de várias obras em hebraico, incluindo “Harechasim le-Bik'ah” (הרכסים לבקעה). Hirsch foi um dos alunos de Chacham Isaac Bernays , e a educação bíblica e do Talmud que recebeu, combinado com a influência do seu professor, foi determinante para acabar por não se tornar num comerciante, como os seus pais haviam desejado, mas sim, por escolher e seguir a sua vocação rabínica.

Para a prossecução deste plano, ele estudou Talmud 1828-1829 em Mannheim, com o Rabbi Jacob Ettlinger. Mais tarde acaba por entrar na Universidade de Bonn, onde estudou ao mesmo tempo que o seu futuro antagonista, Abraham Geiger.

Em 1830 Hirsch foi eleito rabino-chefe (Landesrabbiner) do principado de Oldenburg. Durante este período, ele escreveu a sua obra “Neunzehn Briefe über Judenthum”, (Dezenove Cartas sobre Judaísmo), que foram publicadas, sob o pseudônimo de "Ben Usiel" (ou "Uziel"), em Altona em 1836. Obra disponível em PDF aqui:


Este trabalho causou uma profunda impressão nos círculos alemães porque se tratava de algo novo - uma apresentação brilhante e intelectual do judaísmo ortodoxo. 



Neunzehn Briefe über Judenthum


Em 1838 publicou, como um acompanhamento necessário das letras, “Oder Pflichten de Versuche über Jissroel in der Zerstreuung”, que é um livro-texto sobre o judaísmo para a educação da juventude judaica. Na verdade, ele escreveu “Horeb” em primeiro lugar, mas os seus editores duvidavam que um trabalho em defesa do judaísmo tradicional tivesse lugar no mercado naqueles tempos, quando a reforma estava em voga. 




Hirsch permaneceu em Oldenburg até 1841, quando foi eleito rabino-chefe dos bairros de Hannover de Aurich e Osnabrück, tendo a sua residência em Emden. Durante este posto, que durou cinco anos, esteve quase sempre ocupado com o trabalho comunitário tendo assim pouco tempo para a escrita. No entanto, encontrou uma escola secundária com um currículo que caracteriza ambos os estudos judaicos e um programa secular, pela primeira vez, empregando o seu lema “Torah im Derech Eretz”(1)

Durante os últimos anos de sua vida, Hirsch usou todos os seus esforços na fundação da "Freie Vereinigung für die Interessen des Orthodoxen Judentums", uma associação de comunidades judaicas independentes. Durante os 30 anos após a sua morte esta organização seria usada como um modelo para a formação do judaísmo ortodoxo internacional.

A partir de alguns relatos de familiares, parece provável que Hirsch terá contraído malária na sua estadia em Emden, facto que o continuou a atormentar durante o resto da vida com alguns episódios febris. 



Hirsch morreu em 1888, em Frankfurt am Main e lá foi enterrado.
Hoje é o seu aniversário de falecimento (Yahrzeit ) | dia 27 Tevet 5775


Pedras tumulares do rabino e da sua esposa no cemitério de Frankfurt am Main.





Curiosidades:


O filho de Hirsch, Mendel Hirsch (Alemão) (1833-1900) foi também um estudioso e escritor; e a sua neta Rahel Hirsch (1870-1953) tornou-se a primeira professora de medicina na Prússia. 




Fontes:

http://en.wikipedia.org/wiki/Samson_Raphael_Hirsch

(1)    Ler mais sobre “Torah im Derech Eretz”. :



sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Psalm 44



Shabat Shalom!


Pintura de Alyse Radenovic


Cartas de Lisboa | Va'eira





Va'eira




A firme recusa de Faraó em permitir a liberdade ao povo judeu é o que leva às pragas sobre o Egito. Só depois de todas as dez pragas, é que finalmente ele concorda e permite que o povo judeu parta.




O Faraó não deixa o povo partir e eis que surge a 1ª praga, e a água transforma-se em sangue.



Assim, parece ser a acumulação das dez pragas e seu efeito punitivo sobre o Egito, que finalmente convenceu o Faraó a acabar com a escravidão dos judeus.



A praga das rãs  



Pragas dos piolhos - moscas - a morte dos animais


Esta premissa,   no entanto, precisa de ser questionada. Não seria possível a D-us trazer uma super-praga que tivesse convencido o Faraó a fazer o que deveria fazer?


Foram realmente necessárias tantas pragas?


Dom Isaac Abravanel, no seu comentário sobre a parsha, oferece uma visão fascinante. Ele explica que é precisamente o grande número de pragas que em última análise ensina o Faraó que D-us tem de facto o mundo sob seu controle.



Chagas - chuva de pedras




Depois de cada praga houve uma pausa, uma pausa na punição dos egípcios, e uma oportunidade para o Faraó pensar: foi realmente uma intervenção de D-us ou simplesmente uma catástrofe natural e uma inconveniência meramente aleatória?

Praga dos gafanhotos






Trevas - Morte dos primogénitos



Por um lado uma super-praga poderia ter forçado a mão ao Faraó, mas por outro, ela não teria tido o mesmo efeito internamente.

Depois de cada praga, o Faraó medita, foi esta verdadeiramente uma mensagem de D-us, ou algo lamentável e que ele poderia esperar que passasse e à qual poderia sobreviver?

Foi esta constante negação de D-us pelo Faraó e as suas repetidas decisões em desafiá-Lo, que o levou a esta incapacidade de se aperceber do Divino.
A capacidade de reconhecer a D-us, entender que o mundo tem um Criador, requer a capacidade de se concentrar, ouvir e ver.

Em vez de tratar tudo o que acontece como uma mera ocorrência aleatória, precisamos de nos perguntar porque acontecem as coisas e o que podemos fazer nessas circunstâncias.

Isto é o que a longa narrativa das pragas nos lembra, e para isto não era suficiente apenas uma praga.



Encontrar D-us em tempos turbulentos exige esforço. Isso foi algo que o Faraó não quis fazer, mas que é imperativo para todos nós fazermos.


O Baal Shem Tov ensina que tudo o que vemos ou ouvimos tem em si uma lição para nós, no nosso relacionamento com D-us. Ao contrário do Faraó, que não conseguiu reconhecer D-us em lugar algum, já nós, temos de tentar encontrá-Lo em todos os lugares.



Shabat Shalom!
Cortesia doRabino


Eli Rosenfeld
chabadportugal.com





Fontes das imagens: